19 Novembro 2017
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UÉ distingue Teolinda Gersão com Prémio Vergílio Ferreira

O Prémio Vergílio Ferreira 2017 foi atribuído à escritora Teolinda Gersão. Este galardão foi hoje anunciado pelo júri do Prémio que incide sobre o conjunto da obra de um autor que se tenha distinguido nos domínios da ficção ou do ensaio.

Na edição com mais candidaturas desde que foi criado o Prémio, em 1997, apresentadas por instituições de Portugal, Espanha, Itália, EUA e Colômbia, o júri decidiu atribuir este ano o prémio a Teolinda Gersão, tendo ficado escrito em ata que “o Prémio Vergílio Ferreira 2017 foi atribuído à escritora Teolinda Gersão pela alta qualidade da arte narrativa expressa nos vários géneros de ficção clássica, em particular o romance e o conto, num percurso que adquire especial relevo pela independência da escritora relativamente a todas as modas ou tendências que, de alguma forma, condicionam os caminhos da literatura contemporânea”.

Em declaração ao Gabinete de Comunicação da UÉ, o júri realçou o alto nível dos candidatos, enfatizando que o “perfil muito específico de Teolinda Gersão, enquanto prosadora, e o lugar absolutamente singular que tem na literatura portuguesa contemporânea, tornou a decisão mais simples”. De acordo com o painel “estamos perante uma das maiores ficcionistas da literatura portuguesa contemporânea”, sendo que o galardão agora atribuído consagra o seu percurso, “honrando em simultâneo as letras portuguesas”.

O júri do Prémio que pretende homenagear o escritor de “Aparição” é composto este ano pelos Professores Pedro Ferré (U. Algarve), Mário Avelar (U. Aberta), Gustavo Rubim (crítico literário, U. Nova de Lisboa), Elisa Nunes Esteves (U. Évora) e Antonio Sáez Delgado (U. Évora, presidente).

A cerimónia de entrega do Prémio acontece no dia de 1 março, data em que se assinala a morte do escritor, contando com as habituais intervenções da premiada, do júri e da reitora da Universidade de Évora.

Teolinda Gersão nasceu em Coimbra, estudou Germanística, Romanística e Anglística nas Universidades de Coimbra, Tübingen e Berlim, foi Leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, assistente na Faculdade de Letras de Lisboa e depois de provas académicas professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura Comparada. Além da permanência de três anos na Alemanha viveu dois anos em São Paulo, Brasil, e conheceu Moçambique, onde decorre o romance de 1997 A Árvore das Palavras.

Autora sobretudo de romances publicou até agora duas novelas (Os Teclados e Os Anjos) e duas colectâneas de contos (Histórias de Ver e Andar e A Mulher que prendeu a Chuva). Quatro dos seus livros foram adaptados ao teatro e encenados em Portugal, Alemanha e Roménia. Dois dos contos deram origem a curtas metragens e está a ser feita uma longa metragem a partir do romance Passagens. Foi escritora-residente na Universidade de Berkeley em 2004. O seu livro mais recente é Prantos, Amores e Outros Desvarios (2016).

Publicado em 21.12.2016