21 Setembro 2017
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Descoberta de três esqueletos medievais com amputações punitivas de mãos e pés com intervenção da UÉ

O primeiro relato de uma amputação punitiva publicado em Portugal e o primeiro a nível mundial a evidenciar, para um mesmo local, a existência de mais do que um caso de punição deste tipo, foi investigado por uma equipa do Laboratório de Antropologia Biológica da Universidade de Évora.

As escavações decorreram em Estremoz, levadas a cabo pela equipa, em 2001, liderada por Teresa Fernandes, investigadora do Departamento de Biologia da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora puseram a descoberto uma necrópole medieval no local hoje ocupado pelo Rossio Marquês de Pombal.

Na zona sul desta necrópole, datada de entre os séculos XIII e XV, em três sepulturas situadas lado a lado, foram descobertos três esqueletos de homens jovens (entre os 18 e os 35 anos) cujas mãos e pés tinham sido sujeitos a amputação e colocados no interior das sepulturas, junto ou sob os seus corpos.

A equipa das Universidades de Évora e Coimbra analisou os três esqueletos tendo concluído, através das características dos cortes nos esqueletos, que aos três homens tinham sido aplicadas punições judiciais através de golpes violentos executados com um instrumento de lâmina afiada, do tipo de uma espada ou de um machado. O resultado desta investigação foi publicado na revista International Journal of Paleopathology, onde se sugere que provavelmente a aplicação desta punição terá ocorrido pouco antes da sua morte, não se excluindo a possibilidade de a mesma ter sido perpetrada imediatamente após a morte.

Nesta publicação colaborou também o historiador Marco Liberato, permitindo uma abordagem holística deste caso. Estremoz tinha à época uma grande importância geoestratégica, de que são testemunho o Castelo e Tribunal Real, e o desmembramento constituía uma forma de punição que se pretendia dissuasora.

Este primeiro relato de uma amputação punitiva publicado em Portugal e o primeiro a nível mundial a evidenciar, para um mesmo local, a existência de mais do que um caso de punição deste tipo, foi destaque na LiveScience no passado dia 19 de Junho.

International Journal of Paleopathology

artigo na Live Science

 

Publicado em 04.07.2017