23 Setembro 2017
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Relatório para a investigação e inovação apresentado na Comissão Europeia

Cientistas, empresários e decisores políticos discutem o futuro da investigação e inovação na Europa na conferência Research & Innovation - Shaping our Future, organizada por Carlos Moedas, Comissário Europeu para Investigação, Ciência e Inovação. O relatório “LAB – FAB – APP, Investing in the European Future we Want, coordenado por Pascal Lamy, presidente emérito do Instituto Jacques Delors, propõe uma nova visão para a investigação e inovação europeia, ao propor um aumento do investimento da UE na investigação e inovação em prol do futuro da Europa.

Segundo o relatório, a Europa deve capitalizar melhor o conhecimento que produz e transformar o seu potencial de inovação em crescimento económico. A investigação e a inovação devem ser uma prioridade nos orçamentos da UE e dos respetivos estados membros, propondo ainda uma duplicação do orçamento, em comparação com o atual programa de investigação e inovação da UE, o Horizonte 2020. Por outro lado, o relatório propõe um maior envolvimento dos cidadãos, com vista aos novos desafios globais, através da realização de missões de inovação amplamente mobilizadoras.

Ana Costa Freitas, Reitora da Universidade de Évora, considera que este “estudo sobre o impacto da ciência pedido pelo Comissário Carlos Moedas a Pascal Lamy um "não cientista" que liderou uma equipa diversa” propõe que “a Europa e os seus estados membros tem que aumentar consideravelmente o seu investimento em ciência”, estes “querem realmente liderar ou co-liderar, ter uma voz activa neste mundo global em que hoje vivemos”. Nesse sentido, o relatório agora apresentado “dá indicações sobre o que temos ou devemos fazer para isso”. Na opinião da Reitora da UÉ, é essencial “educar sempre mais, identificar os problemas e focarmo-nos neles”, e só assim podemos “garantir maior sinergia entre fundos estruturais e orçamento da ciência a fim de maximizar efeitos e impactos”.

Outro aspeto realçado pela Reitora da Universidade de Évora é a “necessidade de comunicar ciência, sermos os melhores a comunicar ciência”, porém, para conseguirmos esse desígnio “temos que fazer chegar ao nível de chefes de estado e de governo (os decisores máximos), a noção de que não haverá nunca crescimento económico sustentável sem ciência e sem inovação”, concluindo que “não há ciência e inovação sem orçamento” e “não há continuidade na investigação sem  investimento em educação”, reitera.

Na opinião do Comissário Carlos Moedas, "a investigação e a inovação são importantes, e fazem a diferença no que respeita à produtividade, aumento da competitividade e melhora de forma tangível a nossa qualidade de vida. A Europa é uma potência científica global, mas temos que aproveitar melhor os benefícios desse conhecimento, transformando-o em valor para a Economia e para a Sociedade através da inovação. Saúdo calorosamente o trabalho deste grupo independente presidido por Pascal Lamy. As suas recomendações são uma base sólida para a nossa reflexão sobre o programa de financiamento que irá suceder ao Horizonte 2020. "

O relatório, intitulado LAB - FAB - APP: Investir no futuro europeu, o que queremos, ressalta que, nos últimos vinte anos, dois terços do crescimento económico nos países industrializados são atribuídos à investigação e à inovação. As suas recomendações centram-se na maximização do impacto do investimento da UE na investigação e na inovação, a fim de aumentar a prosperidade e resolver os desafios sociais.

Recomendações propostas:

Priorizar a investigação e a inovação nos orçamentos da UE e orçamentos nacionais, incluíndo uma duplicação do orçamento do programa de investigação e inovação da UE pós 2020;
Construir uma verdadeira política de inovação da UE que crie futuros mercados;
Educar para o futuro e investir em pessoas que farão a mudança;
Conceber o programa I & I da UE para um maior impacto;
Adotar uma abordagem orientada para a missão, que possa enfrentar os desafios globais;
Racionalizar o leque de financiamento da UE e alcançar sinergias com fundos estruturais;
Simplificar posteriormente o impato priviligiado sobre o processo;
Mobilizar e envolver os cidadãos;
Melhor enquadramento entre o investimento na UE e dos Estados membros em I & I;
Tornar a cooperação internacional em I & I numa marca registrada de investigação e inovação da UE;
Capturar e comunicar melhor os seus impactos.

 

Relatório completo, aqui

Publicado em 05.07.2017