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Foto: Pedro Salgueiro
Recuperação ecológica de pedreiras discutida em conferência

Estamos a um ritmo suficiente para evitar os danos maiores provocados pelas alterações climáticas? O Diretor para o Capital Natural na Direcção-Geral do Ambiente da Comissão Europeia, Humberto Rosa, acredita que sim, mas acrescenta que “é necessário maior ambição”, por parte de todos os intervenientes para alcançarmos resultados mais satisfatórios, indicou ontem na Conferência Internacional Quarries Alive 2018 a decorrer na Universidade de Évora até 4 de maio.

Sob ao tema "Enhancing Biodiversity and Ecosystems Services in Quarries – Challenges, Strategies and Practice”, a conferência é organizada pela Universidade de Évora, em parceria com a SECIL - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A. e pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com o objetivo de criar uma ligação entre projetos de recuperação de pedreiras e minas de todo o mundo.  

Humberto Rosa sublinha que esta indústria extrativa por definição “interfere com o uso do solo e nos espaços naturais”, mas assume receber, por parte desta, a “vontade de trabalhar na reposição dos habitats no pós-extração”, incluindo na criação de “nova biodiversidade e trazer os ecossistemas” de regresso aos locais intervencionados.

No que respeita à redução dos gases com efeito de estuda e ao investimento em energias renováveis, Humberto Rosa, é mais cauteloso ao afirmar que “vivemos num cenário misto”; a nível planetário “continuamos num caminho bastante arriscado” reconhece com preocupação, seja pelas alterações climáticas registadas, seja pelas perdas em termos de biodiversidade, onde “a difusão de plástico em tudo o que sítio” continua igualmente a ser uma realidade com precursões nefastas para o nosso ambiente. O político português, à frente de uma das pastas mais importantes da Comissão Europeia, a direção-geral da Ação Climática, admite porém encontrar “casos de sucesso e muitas evidências de mudança”, num claro sinal de esperança no futuro.

Reunir em igual número empresários, cientistas e organizações não-governamentais da conversação da natureza no mesmo espaço, para debater e partilhar experiências, desenvolver um novo estado da arte, evidenciar os desafios atuais e partilhar os avanços no âmbito desta temática, é um feito destacado por António Mira, professor de biologia da Universidade de Évora, uma vez que, na sua opinião, só temos a ganhar quando potenciamos este tipo de iniciativas, numa questão que interfere na “nossa qualidade de vida”, e sustenta que “envolvendo e ouvindo estes três intervenientes” é o caminho certo para alcançar-mos bons resultados.

Esta área da investigação ainda é “relativamente nova”, reconhece o investigador, pelo que a conferência traduz-se numa “experiência e oportunidade única de aprendizagem e partilha de informação, num processo onde temos muito que aprender” justifica António Mira, mostrando-se satisfeito pelo envolvimento destes agentes ao “pensarem da mesma forma", ou seja, em reconhecer que, "para alcançar resultados positivos é necessário aplicar o conhecimento especializado” produzido entre outros, pelas Universidades. 

“Há 30 anos atrás esse pensamento era antagónico” ressalva o investigador, "hoje é possível às empresas obterem os seus resultados económicos, operando num âmbito legal e de respeito pela conservação da natureza", o que potencia o "restauro e a conservação”, admitindo ainda assim ser necessário percorrer  um longo caminho  para atingirmos os objetivos definidos pelas Nações Unidas para o ano de 2020, "mas estamos no caminho de cumprir esse desígnio" salienta, na sua opinião "é um dado já muito importante” resume.  

A parceria entre a Universidade de Évora e a SECIL - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A estabelecida “há mais de 10 anos”, mereceu o destaque de António Mira, onde graças a esta projeto, foi possível “fazer uma boa caraterização, desenvolver ações de conservação, e corrigir erros”, conseguindo esta equipa ir “mais além do que inicialmente estava previsto”, não se limitando a monitorizar ou a recuperar determinadas espécies, mas inclusivamente “recuperar os serviços de ecossistemas”, e "alcançar a funcionalidade dos sistemas”.

A conferência conta com as participações, entre outros, do diretor do Cement Sustainability Initiative (CSI) Philippe Fonta, o investigador da Universidade de Alicante, Jordi Cortina e de Michael Rademacher, investigador da University of Applied Sciences Bingen da Alemanha.

 

Publicado em 03.05.2018