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Antónia Fialho Conde recebe Medalha de Mérito Científico

Antónia Fialho Conde, Professora do Departamento de História da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora (UÉ) e Investigadora do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) recebeu a Medalha de Mérito Científico, atribuída pela Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, premiando o trabalho desenvolvido pela professora da UÉ nos campos da investigação histórica e valorização do património cultural. 

“É um reconhecimento que muito agradecemos à autarquia e à assembleia municipal que a atribuiu por unanimidade” começa por referir Antónia Fialho Conde em declarações ao Gabinete de Comunicação da UÉ, mostrando-se naturalmente “muito satisfeita” pela distinção. A historiadora salienta que ”é algo recíproco; as ruas de Reguengos de Monsaraz fazem parte da minha juventude” recorda, “e alguns dos homenageados foram meus professores”, referindo-se  a Luís Filipe Marcão e Ilídio Tavares, galardoados com a Medalha de Mérito Cultural, nacerimónia que celebrou os 14 anos da elevação de Reguengos de Monsaraz à categoria de cidade.

Natural de São Pedro de Corval, a professora de história considera ser “muito importante não perdermos de vista as nossas raízes”, reflectidas no seu trabalho de investigação sobretudo no que respeita às questões patrimoniais registadas em diversas obras, destacando a publicação “Monsaraz e o seu Reguengo” de 2002, elaborada em colaboração com os professores Jorge Araújo e Jorge Oliveira,  ou ainda em “Arte Sacra no concelho de Reguengos de Monsaraz”, em que inventariou e catalogou “cerca de 750 livros e documentos antigos bem como 600 peças de entre as quais uma Cruz de Altar da Terra Santa, em madeira de oliveira e madrepérola do séc. XVIII, uma caixa de hóstias rara em metal esmaltado [cloisonné], de origem chinesa, datada de 1965, e um terço indo-português com contas de marfim lavrado [séc. XVIII]". Por fim, a investigadora, ciente da relação afetiva que mantém com a sua terra natal, destacou ainda, “Mãos de Criam – A Olaria em São Pedro do Corval”, um livro que “homenageia todos os oleiros que contribuíram para o desenvolvimento económico e cultural desta atividade ancestral e para a sua projeção nacional e internacional”, cuja arte “está sempre no meu horizonte” remata a investigadora.

Com um percurso académico firmado na Universidade de Évora, Antónia Fialho Conde concilia a docência e a investigação, cativando estudantes e jovens investigadores a desenvolver os seus projetos na área do património, numa  região que apresenta “grande potencialidade” seja no domínio “da arqueologia, megalitismo, idade média, arquitectura militar, património religioso”, ou ainda no estudo da vinha e do vinho. O ”diálogo estabelecido entre a UÉ e a região, e com o espaço privilegiado onde está instalada” foi enaltecido por Antónia Conde; na sua opinião,  “este é também o nosso papel enquanto docentes porque, no fundo, devemos estar ao serviço da comunidade em prol de um ideário na defesa de valores e fazer chegar a ciência aos cidadãos”, ainda assim “muitos não têm noção da riqueza da cidade e da região”, cuja profusão de estilos arquitetónicos e artísticos é de “enorme valor”.

Antónia Fialho Conde encontra-se envolvida em diversos projetos, entre os quais se destaca um estudo sobre a paisagem musical de Évora, coordenado por Vanda de Sá, professora do Departamento de Música da Escola de Artes da UÉ, o qual é considerado “de grande ambição, com um lastro cronológico entre 1540 e 1910”. Também em 2019, acontece a VII edição da Residência Cisterciense no mosteiro de S. Bento de Cástris bem como o congresso internacional “Um Reino de Mulheres” agendado para meados de abril, em torno da produção cultural intelectual e artístico de mulheres em contexto monástico. 

Publicado em 11.12.2018