19 Novembro 2017
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Morreu Laurence Walter Keates

O Prof. Doutor Laurence W. Keates, falecido no passado dia 27 de Maio, era um eminente estudioso da Literatura e da Cultura portuguesas.

Formado pela Birmingham University, UK (BA 1953, MA 1959), leccionou em Portugal (na Academia Militar e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) de 1954 a 1961, com uma passagem de três anos (1955-1958) pelo Queens College, Georgetown, British Guyana. Fixou-se depois na Universidade de Leeds, onde, durante 28 anos (de 1961 a 1989), foi Lecturer e Senior Lecturer no Department of Spanish, Portuguese and Latin American Studies.

Foi um dos editores dos volumes das Actas da Associação Internacional de Lusitanistas (Segundo Congresso, Coimbra, 1991). As suas principais publicações incluem a sua obra mais conhecida, o importante ensaio  The Court Theatre of Gil Vicente (1962), traduzida e com duas edições em português (O Teatro de Gil Vicente na corte, Teorema). Sobre a obra do dramaturgo português, Laurence Keates produziu ainda Las barcas de Gil Vicente: la sinthesis medieval más perfecta? (em AHLM-III) e Gil Vicente’s Auto da Alma: A Tryptich (em Catholic Tastes and Times: Essays in Honour of. Michael E. Williams, ed. Margaret A. Rees).

Laurence Keates colaborou em importantes volumes colectivos sobre teatro, tais como The Cambridge Guide to Theatre, ed. por Martin Banham (2ª ed. 1995) e Gil Vicente, 500 anos depois, em 2003 (eds. Maria João Brilhante, José Camões, Helena Reis Silva e Cristina Almeida Ribeiro).

É de Laurence Keates, ainda, o importante ensaio Mysterious Miraculous Mandarin: Origins, Literary Paternity, Implication in Ethics, Revue de Littérature Comparée, 40.4 (1966), assim como Personality and Freedom in Joyce Cary (Revista da Faculdade de Letras de Lisboa, 1960)

O Professor Laurence Keates foi também tradutor, tendo sido responsável pela versão inglesa de A Descoberta do Atlântico, de Costa Brochado (1960), do Tractatus de Assecurationibus, de Petrus Santerna Lusitano (1961), da obra A faca e o Rio, de Odylo Costa (Academia Brasileira das Letras) e de obras de António Frazão, como MeditaçõesLivro de anotações (1983-1996), Sapphica ou dos instantes visíveis (1993-1994), O Livro das Preces (1995-1998).

 

Ana Luísa Vilela | Departamento de Línguistica e Literaturas

Publicado em 29.05.2012