21 Setembro 2017
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Soumodip Sarkar
Foto: Susana Rodrigues
Dois anos no IIFA - Uma Reflexão

Foi há dois anos atrás que tomei posse (data que parece tão longínqua) como o primeiro diretor do IIFA, a unidade orgânica criada pelos novos Estatutos da UE para promover a excelência na investigação e ensino e de facto assumir as responsabilidades de definir a política de investigação na Universidade. Passados dois anos, é a altura oportuna para fazer uma pausa de reflexão, do percurso percorrido e dos tempos que se seguem. 

Face ao sentimento que de certa forma se percepciona atualmente na nossa universidade de falta de "querer fazer", eventualmente resultante de presente conjuntura económica, posso dizer que me sinto de certo modo tranquilo por o IIFA ter conseguido atingir e em alguns casos superado os objetivos definidos para os anos 2010 e 2011, e mais importante, sentir que há um acréscimo de valor. Essa pergunta sobre o valor acrescentado não é feita geralmente em relação às outras unidades orgânicas da UÉvora. Percebo que existam expectativas de que o IIFA será um veículo de mudança para melhor dentro da Universidade de Évora. No entanto os estímulos externos, sobre a existência do IIFA tem sido uma constante, de uma forma geral, todos os painéis da A3ES que nos visitaram até agora, no âmbito da avaliação dos cursos de 3º ciclo, louvaram a existência do IIFA, e a sua tentativa de impor patamares de qualidade.
 
Contudo, face os desafios atuais, e as expectativas que eu próprio tenho, acho que podíamos ter feito mais e o caminho que temos para atravessar é ainda muito grande.

Uma estratégia de promoção de uma cultura de investigação e ensino de qualidade não pode ser criada a partir de um vazio. É preciso, sobretudo, muitos atores para apoiarem, além da própria direção do IIFA e também o CCP-IIFA, para se conseguir atingir a excelência na investigação e ensino. Por exemplo, numa altura em que não há abertura de vagas/progressão nas carreiras na Universidade de Évora, quer de docentes quer de não docentes, existe um clima altamente desmotivador no corpo e espírito académico. Infelizmente, algumas das medidas que o IIFA propôs, ainda não foram implementadas, dado que requerem um acordo com outras unidades, em que como diretor, não tenho competências, nesse sentido é fundamental que haja uma estratégia integrada. Percebo também que haja resistência em mudar o status-quo, mas o processo de melhoria sempre implica mudanças. É necessária e fundamental, quer orientação da reitoria nesse sentido, quer colaboração e compreensão das restantes unidades, no sentido de implementação de uma estratégia de promoção de qualidade do ensino. Sendo que algumas das medidas propostas pelo IIFA, nem sequer podem ser consideradas muito ambiciosas.

Uma vez que o objetivo do IIFA é conseguir fazer mais e melhor, nos próximos dois anos é preciso que a escola doutoral seja realmente uma opção estratégica da Universidade e não meramente retórica. Invocar problemas financeiros para não se fazer opções, pode sair muito caro a médio prazo para a Universidade. Continuam a existir sobreposições das competências, existência de serviços com pouca orientação que podiam facilmente fazer parte da estratégia de promoção de investigação e ensino de qualidade, e sobretudo a não afetação de recursos necessários para fazer um trabalho da qualidade. Tudo isso reflete numa certa falta de visão e a coragem para fazer opções. É em alturas de crise financeira e económica que a liderança se torna um factor que faz a diferença. Imobilização face às opções fundamentais que temos que tomar, estrangula não só o presente mas deixa menos esperanças para o futuro.

Recentemente participei num congresso da EUA (European University Association) e fiquei bastante agradado como as escolas doutorais estão a ser a norma em muitas universidades Europeias, e estão a ser colocadas no vanguarda de melhoria das universidades. Embora a UE tenha sido pioneira em Portugal ao criar uma escola doutoral como uma unidade orgânica com competências próprias, os fatos no terreno deixam muito a desejar.

Como balanço final, resta-me salientar um aspecto com bastante visibilidade, o aumento exponencial do nº de alunos ativos em cursos de doutoramento na Universidade de Évora, conforme ilustra a imagem.
 
O desafio continua a ser ambicioso, colocar a investigação e a formação avançada da Universidade de Évora na órbita das universidades de excelência, mas com o esforço e empenho de toda a comunidade académica, temos a certeza que podemos concretizar todos os objectivos a que nos propomos.

Soumodip Sarkar | Diretor do IIFA
Publicado em 06.02.2012