21 Setembro 2017
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Luis Leopoldo de Sousa e Silva
Foto: cedida pelo autor
Vale a pena estudar Agricultura!

A Agricultura tem sido um sector pouco acarinhado nos últimos anos. A atividade agrícola tem sido frequentemente caracterizada pela Sociedade como uma atividade onde apenas trabalham aqueles que não conseguem trabalhar em outras atividades. O que está longe de ser verdade.

Os media passam com regularidade a imagem de uma atividade em que se empobrece, em que as pessoas não são pagas adequadamente pelo seu trabalho, e sujeita às agruras do tempo, que podem destruir o trabalho de um ano em poucos minutos. Sem dúvida que a Agricultura é uma atividade de risco, onde o clima pode ser adverso. Mas o Clima Mediterrâneo, que por ser tão irregular dificulta e aumenta o risco da atividade agrícola, também permite uma maior diversidade agrícola. Também existem em Portugal variados casos de sucesso de empresários agrícolas, situações menos divulgadas pelos media. Se estivermos mais atentos podemos verificar que no Concurso Mundial de Bruxelas de 2012, o melhor vinho tinto do mundo foi um vinho português produzido no Alentejo, e só nesse concurso foram apresentados quase mil vinhos portugueses. Ou podemos verificar que as exportações no sector agrícola têm aumentado e se prevê que continuem a aumentar no futuro próximo, sendo os nossos produtos agrícolas referenciados internacionalmente como produtos de grande qualidade.

A atividade agrícola tem sido ao longo da História um pilar de muitas culturas e civilizações e continua a ser uma atividade fundamental para a sobrevivência do Homem. Podemos dispensar muita coisa, mas sem Agricultura não temos comida. O próprio Estado já reconheceu que a Agricultura é um sector que pode resolver uma parte dos problemas do país. Começa a ser frequente vermos notícias de jovens que abandonam o seu trabalho noutras atividades para voltar à Agricultura, e que se tornam casos de sucesso.

Desengane-se no entanto quem pense que para trabalhar na Agricultura é apenas necessário ter conhecimentos sobre as plantas e aplicar “receitas” ou conhecimentos transmitidos pela experiência. A produção agrícola, atualmente, é uma atividade cada vez mais tecnológica. Hoje em dia, as máquinas agrícolas não são apenas máquinas para realizar trabalhos pesados. São em muitos casos equipamentos sofisticados, com sistemas computorizados e sensores que permitem programar operações, recolher e armazenar informação sobre as culturas durante as operações agrícolas, e até ajustar a aplicação de um adubo, de um produto fitossanitário, da água de rega, em função dessa mesma informação e da variabilidade de solos e clima. Cujo funcionamento pode estar associado às novas tecnologias de informação permitindo, por exemplo, ter sistemas de rega cujo funcionamento pode ser gerido à distância através de um computador. Permitindo receber mensagens de sms quando o sistema tem algum problema, ou vai iniciar/terminar a rega.

E o nível tecnológico das operações agrícolas aumenta quando entramos na área da transformação dos produtos agrícolas. Todas as etapas de processamento dos produtos agrícolas estão hoje em dia sob um controlo intenso e sofisticado, de modo a garantir a qualidade dos produtos transformados.

Deste modo, “trabalhar” na Agricultura atualmente exige uma combinação de bons conhecimentos agronómicos (solos, plantas, clima) e de tecnologias de produção, que utilizam, cada vez mais, equipamentos e sistemas sofisticados. É necessário uma formação sólida que permita adquirir competências capazes de juntar todas estas inovações tecnológicas aos conhecimentos agronómicos de modo a conseguirmos ter uma Agricultura sustentável, amiga do ambiente e, principalmente, competitiva.

Porquê estudar Agricultura na Universidade de Évora? O ensino agrícola foi sempre uma marca da Universidade de Évora, que conta com um corpo docente altamente qualificado e reconhecido nacional e internacionalmente. A Herdade da Mitra, onde está sediado o ensino agrícola, constitui um espaço de excelência onde é possível complementar o estudo teórico com o estudo prático, no campo e nos laboratórios. A formação não está limitada à formação de base (Licenciatura), mas conta com uma variada oferta em formação avançada (Pós-graduações, Mestrados, Doutoramentos), não só em cursos mais generalistas que permitem aos alunos consolidar e aprofundar a sua formação de base, como também em cursos mais especializados que permitem aos alunos adquirir competências mais específicas.

A qualidade do ensino está também apoiada por um Centro de Investigação (o Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas – ICAAM), classificado pela Fundação da Ciência e Tecnologia como Muito Bom, e pela investigação realizada pelos docentes e investigadores da Universidade de Évora, que nesta área, são parceiros em projetos de investigação não só na Europa e nos países lusófonos, mas também noutros países da América do Sul, do Norte de Africa, e em vários outros locais do Mundo.

A atividade agrícola apresenta cada vez mais desafios e exigências, mas pode ser, mais do que nunca, uma atividade aliciante e recompensadora.

Luis Leopoldo de Sousa e Silva | Diretor de Curso do Mestrado em Engenharia Agronómica

Publicado em 15.11.2012