19 Novembro 2017
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José Rafael Marques da Silva
Foto: cedida pelo autor
Mestrado integrado em Engenharia de Biossistemas

A Universidade de Évora viu recentemente aprovado pela agência de acreditação nacional o mestrado integrado em Engenharia de Biossistemas. Conseguir este tipo de aprovação em Portugal, em áreas de formação não tradicionais, é extremamente difícil pois os ciclos de estudos normalmente aprovados pela agência de acreditação portuguesa são ciclos de formação autónomos de 3 anos (licenciatura) e de 2 anos (mestrado) e quase nunca, ciclos integrados de 5 anos. Esta aprovação numa área emergente da Engenharia, deve-se, sem qualquer tipo de dúvida, às competências científicas, pedagógicas e estruturais que a Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora apresentam.

A Engenharia de Biossistemas integra o projeto de engenharia com as ciências biológicas, ambientais e químicas por forma a resolver problemas de engenharia em sistemas biológicos. Os Engenheiros de Biossistemas trabalham numa escala local ou global em assuntos como a produção sustentável de alimentos, fibras e energia, qualidade e segurança alimentar, logística de bio-produtos, utilização sustentável de bio-recursos, valorização e utilização de biomassa e resíduos, empreendedorismo e inovação, sistemas de controlo ambiental, sistemas robóticos aplicados aos biossistemas e tecnologia verde.

A Engenharia de Biossistemas tem como alicerces as ciências de base (Biologia, Física, Química, Matemática) e o projeto de engenharia, adicionando-se-lhes as ciências da engenharia em distintas áreas do conhecimento, nomeadamente em tecnologias e equipamentos agroalimentares, rastreabilidade de bio-produtos, energia verde e eficiência energética de sistemas produtivos, produção e valorização de biomassa, certificação auditoria da qualidade e prevenção de riscos, etc.. Os alunos terão a oportunidade de desenvolver projetos em Engenharia de Biossistemas com a tutoria de investigadores associados a equipas de investigação ativas. A Universidade de Évora e a sua Escola de Ciências e Tecnologia fazem ainda parte de uma rede europeia (ERABEE) associada à formação em Eng. de Biossistemas, rede esta constituída por 32 universidades. Para além da rede europeia, tem ainda diversas universidades americanas com formação nesta área, com quem desenvolve atividades conjuntas (e.g. Virginia Tech, Illinois, Davis California, Stanford, Florida, Michigan, Massachusts, Ohio). Se as negociações entre a Universidade de Évora e a Universidade de São Paulo (Brasil), a decorrer no momento em que vos escrevo estas palavras, tiverem sucesso, os alunos poderão ainda obter uma dupla titulação com o curso de 5 anos em Engenharia de Biossistemas que decorre numa das melhores universidades brasileiras. Para o efeito, o aluno deverá frequentar no mínimo, dois anos em cada uma das instituições. Queremos para os nossos alunos experiências pedagógicas inesquecíveis e por isso procuramos constantemente estar à altura da sua imaginação e capacidade.

É do conhecimento público que grandes líderes mundiais, em discursos relativamente recentes, afirmaram que o mundo tem um deficit elevado de engenheiros. É também do conhecimento público que a nossa confiança na indústria financeira fracassou redondamente, tendo tido um impacto desastroso na economia e na sociedade, que todos bem conhecemos e sentimos. É também do conhecimento público que os atuais desafios da sociedade passam pela criação de valor e pela sustentabilidade das ações e dos processos e, nesse caminho, a Engenharia, em particular a Engenharia de Biossistemas, ao integrar a boa Tecnologia e os Biossistemas está bem posicionada para apresentar soluções de crescimento sustentável a uma sociedade que exige soluções de confiança, baseadas no “Honesto estudo com longa experiência misturado”.

E porque os Engenheiros são personagens normalmente bem-dispostas, deixo aos jovens academicamente indecisos a seguinte mensagem, “A exemplo do vídeo que partilho convosco, não desejem ter uma vida normal, desejem antes ser Engenheiros de Biossistemas”.

José Rafael Marques da Silva | Diretor de curso do Mestrado em Engenharia de Biossistemas

Publicado em 15.11.2012