19 Novembro 2017
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Manuel Collares Pereira
Foto: Cristina Brázio
Um passo em frente

A Universidade de Évora, propôs ao INALENTEJO e viu aprovados no âmbito do Sistema de Apoio a Entidades do Sistema Cientifico e Tecnológico Nacional (SCTN), e no âmbito do Sistema de Apoio a infraestruturas Científicas e Tecnológicas (SRTT) 14 importantes projetos de investimento em várias áreas de especialidade onde ao longo dos anos foi capaz de desenvolver competências científicas e tecnológicas específicas.

Julgo que este sucesso, por um lado revela a qualidade dos investigadores e das suas propostas, mas, por outro, revela que se vai construindo e consolidando algo que é fundamental: a Universidade desenvolve-se na sua região, num esforço crescente de integração com a sua envolvente, de recursos, de necessidades, de oportunidades. O INALENTEJO é um instrumento fundamental na promoção dos melhores interesses da região e, assim, aparece a reconhecer e a apoiar a contribuição de alto nível que a Universidade pode dar para esses objetivos. Esta capacidade e disponibilidade do INALENTEJO, merece destaque e reconhecimento.

Os projectos envolvem temas de um grande leque de assuntos: a Biodiversidade e as Alterações Climáticas, o Montado, o Olival, a Vinha, o Solo, a Água e a Bioquímica Ambiental, o Património, as Ciências e Tecnologias da Terra, Atmosfera e Energia, etc. Isto é, um conjunto de temas que possuem de uma forma geral, essa importante integração com o que referi acima, a integração com a envolvente dos recursos, necessidades e oportunidades.

Comento, em seguida, um destes temas em particular, o da Energia, que nos propomos desenvolver nos próximos anos, no âmbito de uma aposta sobre as Energias Renováveis, em particular a Energia Solar.

Portugal é um país sem recursos energéticos convencionais fósseis e, em contrapartida, com um dos melhores potenciais de Recursos Renováveis na Europa, em particular na área da Energia Solar. Esta forma de energia vai ser progressivamente chamada a desempenhar um papel que poderá mesmo vir a ser o mais importante no mix das várias formas de energia do futuro. Existem já muitas tecnologias disponíveis, embora com graus de maturidade muito distintos e muitas mais por desenvolver. A Universidade de Évora, através da Cátedra BES Energias Renováveis, mas também através de outras competências que possui espalhadas por vários dos seus Departamentos e Centros de I&D, pretende investigar as chamadas tecnologias de Concentração Solar, que potenciam aplicações de produção de eletricidade, calor de processo para a indústria, climatização, dessalinização, etc.

Pretende fazê-lo juntando à sua volta empresas e outras entidades de Investigação, Desenvolvimento, nacionais mas também de outros países, em particular europeus, com competências firmadas e onde já existe uma forte relação com a indústria, o que é fundamental para a adoção das ideias e maturação das tecnologias.

Assim, o projeto que propôs ao INALENTEJO foi o de uma plataforma de ensaios de coletores solares concentradores de grande dimensão, que será o primeiro com as características de seguimento integral do movimento aparente do sol, em toda a Europa, para proporcionar a exploração do recurso solar de radiação direta (um dos mais elevados da Europa) ao desenvolvimento dos concentradores em condições naturais de operação, até temperaturas que poderão exceder os 400ºC.

Será desenvolvido na Herdade da Mitra e já é objeto de um acordo de cooperação com o Frauenhofer Institute (ISE- Freiburg) para se proporcionar uma exploração conjunta, que permita à indústria europeia, em particular a alemã (e, em muitos aspectos o seu líder), de explorar, com a nossa ajuda, condições que serão únicas no contexto europeu.

Em complemento com este apoio aos projectos de I&D da Universidade, o INALENTEJO apoiou e potenciou a criação do PCTA, um apoio coerente com este que dá à Universidade, já que cria assim condições concretas para que beneficiários dos avanços da Ciência e da Tecnologia, possam pensar em convertê-los em negócios específicos, com a exploração de outros recursos locais, materiais e de mão-de-obra especializada.

Na área da Energia teremos uma preocupação explícita em alimentar essa “pedra de fecho” do edifício cuja construção estes financiamentos estão a ajudar a pôr em marcha.

Num momento de crise e de grandes dificuldades para as Universidades portuguesas, podemos dizer que o apoio obtido através do INALENTEJO é de uma enorme importância e, certamente, vai potenciar uma resposta de alta qualidade: verdadeiramente um passo em frente, que parecia impossível nas circunstâncias atuais.

 

Évora, Janeiro 2013

 

Manuel Collares Pereira

(Titular da Cátedra BES, Energias Renováveis)

Publicado em 24.01.2013