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Prémio SOS Azulejo com participação do HERCULES

A tese de doutoramento “Património Ibérico: azulejos hispano-mouriscos em colecções portuguesas e espanholas” de Susana Coentro foi galardoada com o Prémio SOS Azulejo na categoria de Estudos de Materiais, contando para tal, com colaboração do Laboratório Hercules da Universidade de Évora. 

Susana Coentro, doutarada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, começa por referir que “foi com enorme orgulho” que recebeu o prémio SOS Azulejo na categoria de Estudos de Materiais, considerando ser um “privilégio trabalhar nesta área e contribuir para o estudo, divulgação e salvaguarda do nosso património azulejar”.   

A tese de doutoramento, como destaca Susana Coentro, “contou com a colaboração do Laboratório HERCULES na realização de algumas análises fundamentais, em particular SEM-EDS e u-XRD - uma colaboração no contexto do projecto de investigação AZ-MED - Azulejaria Medieval em Portugal - Um Estudo de Proveniência” deixando um agradecimento especial à Doutora Teresa Ferreira, ao Doutor José Mirão e à Mestre Cátia Relvas, “com quem trabalhei mais proximamente neste estudo”, bem como ao Doutor António Candeias, “que apoiou este projeto desde o início”.

Este é o primeiro estudo arqueométrico que compara azulejos hispano-mouriscas de diferentes coleções portuguesas e espanholas, onde apesar do crescente interesse pelo património cultural ibérico da cerâmica, faltava um estudo específico dedicado aos azulejos arquitetónicos, desta forma, esta tese oferece uma primeira abordagem sobre as características tecnológicas deste património

Este trabalho comparou importantes coleções de azulejos hispano-mouriscos portugueses e espanhóis. Em Portugal foram alvo deste estudo os azulejos do Palácio Nacional de Sintra, Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, sítio arqueológico de Santo António da Charneca; em Espanha, os azulejos no Instituto Valência de Don Juan, Casa de Pilatos em Sevilha e Museu de Cerâmica e Artes Sumtuarias “González Marti” em Valência.

O objetivo foi “fornecer uma caracterização físico-química de ambos os esmaltes e os corpos cerâmicos dos azulejos para entender melhor a tecnologia de produção” utilizando técnicas “minimamente invasivas e essencialmente não destrutiva, com técnicas analíticas complementares que permitirão a replicação em estudos futuros com outras coleções de azulejos hispano-mouriscos”

 O estudo arqueométrico concluiu que “as argilas calcárias eram o material padrão utilizado para os corpos cerâmicos dos azulejos”. O conteúdo de cal é “frequentemente superior a 20% em peso, o que é um valor alto entre as argilas calcárias típicas analisadas na literatura, embora dentro dos resultados esperados para corpos cerâmicos opacificados com estanho”. Esta tecnologia de esmalte empregada nos azulejos hispano-mouriscos seguiu a tradição islâmica que foi introduzida na Península Ibérica a partir do século VIII.

Na cerimónia que decorreu no passado dia 24 de maio no Palácio Fronteira, Lisboa, o júri, presidido pelo Professor Doutor Vítor Serrão, considerou que os trabalhos apresentados “contribuem para a defesa e valorização do património azulejar português”,

O Projeto “SOS Azulejo” visa a salvaguarda e valorização do Património Azulejar Português. Foi criado em 2007, de iniciativa e coordenação do Museu de Polícia Judiciária (MPJ), e nasceu da necessidade imperiosa de combater a grave delapidação do património azulejar português que se verifica atualmente, de modo crescente e alarmante, por furto, vandalismo e incúria.

 

Publicado em 04.06.2018