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David Berry
cedida pelo autor
Docente da UE publica artigo na revista Science
David Berry, professor do Departamento de Física da Universidade de Évora, é co-autor do artigo "Venus’s Southern Polar Vortex Reveals Precessing Circulation", publicado na revista Science.

Resumo do artigo:

A rotação da atmosfera de Vénus é a mais rápida de todos os planetas de tipo terrestre. Com um período de 4 dias, a rotação da atmosfera deste planeta é 60 vezes mais rápida que a rotação da sua superfície sólida. Imagens obtidas com o auxílio do instrumento VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging
Spectrometer), a bordo da sonda Venus Express, revelam que o vórtice polar deste planeta pode conter pistas para esta super-rotação.

Os vórtices polares são estruturas comuns nas atmosferas do Sistema Solar, ocorrendo nos pólos da Terra, assim como nos pólos de Saturno e Neptuno. Nos anos 70, a missão Mariner 10 observou pela primeira vez o vórtice polar de Vénus, tendo sido posteriormente realizadas outras observações de curta duração
desta estrutura através da sonda Pioneer Vénus Orbiter. A missão Vénus Express permitiu agora um estudo detalhado do vórtice localizado no pólo Sul, revelando as suas estruturas de nuvens semelhantes a um furacão e o seu núcleo instável com 2000 km de extensão e brilhante no infravermelho.

Imagens do instrumento VIRTIS mostraram que o vórtice do pólo Sul de Vénus não só não se encontra alinhado com o eixo de rotação do planeta como também se move em torno deste, num movimento semelhante à precessão de um pião. As imagens da Vénus Express tinham já mostrado que os padrões de nuvens do vórtice
estavam frequentemente distanciados do pólo; os resultados publicados hoje medem a velocidade e direcção do vento, analisando as taxas de deriva das estruturas das nuvens a cerca de 65 km de altitude, confirmando que estas se encontram em movimento num vórtice cujo centro pode aparecer deslocado até 500
km do pólo.

A "oscilação" dos vórtices polares em torno do pólo de Vénus é importante para a compreensão das características da sua atmosfera, em particular a sua rotação rápida. O vórtice polar é semelhante ao remoinho criado num ralo quando a tampa é retirada: o fluido roda com maior velocidade à medida que se move em direcção ao centro do vórtice. Em Vénus o vórtice roda sobre si próprio mas também à volta do pólo Sul, como o movimento que sentimos quando andamos no "carrinho de roda" de um carrossel.

Fisicamente, a oscilação do vórtice pode ajudar a transferir momento angular (grandeza física que mede a quantidade de movimento rotacional) de volta para o exterior, ou seja, para longe do pólo e para latitudes mais baixas. A oscilação do vórtice permite transferir momento angular a partir das altas latitudes de forma a manter uma super-rotação nas latitudes mais baixas.

Embora este resultado não seja a solução para o mistério da super-rotação da atmosfera de Vénus, ele dá-nos indicações importantes sobre os mecanismos dinâmicos em acção

Publicado em 15.04.2011