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A nova rota da seda chinesa: continuidade ou rutura?

"A nova rota da seda chinesa: continuidade ou rutura?" foi o tema de uma aula aberta proferida por Rui Lourido, Presidente do Observatório da China, que decorreu ontem, dia 28 de novembro, na Universidade de Évora (UÉ).

Esta foi a questão colocada à qual o próprio Presidente do Observatório da China respondeu, passando em revista a nova reconfiguração da economia mundial e a recuperação económica da China face dos Estados Unidos da América. “O PIB Chinês triplicou desde 2007” recordou Rui Lourido, afirmando-se hoje como um polo de desenvolvimento mundial e o “maior incentivador do multilateralismo e da globalização”, enfatizou.

A crise de 2008/2009 produziu grandes mudanças a nível mundial e a “China soube ler a mensagem, entendeu da melhor forma os ensinamentos saídos dessa crise económica; incentivou o consumo interno, fixou o salário mínimo (campo e cidade) e por via do aumento dos salários viu crescer a classe média, tirando nestes últimos anos cerca de 700 milhões de pessoas do linear de pobreza”. Outro exemplo desta mudança de paradigma protagonizada por parte da China e referida pelo presidente do Observatório da China foi a “prioridade absoluta” face à recuperação ambiental, traçando este país “metas muito rígidas” para recuperar a qualidade do ar e da água dos rios. Rui Lourido, recordou ainda sobre esta temática que a China é “o principal produtor e utilizador de energias renováveis”, um exemplo de como o país está na linha da frente no que respeita ao ambiente.    

A relação comercial entre a China e o continente africano, a estratégia do BRICS, um grupo político de cooperação que junta a China, Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, “que mais contribui para relações diplomáticas fundamentadas por relações económicas‘win-win’”, encarado como o novo pacto para o desenvolvimento mundial, bem como as relações de cooperação económica com os países da lusofonia, constituíram outro dos assuntos abordados por Rui Lourido.

O Observatório da China promove iniciativas que visam o desenvolvimento e divulgação de trabalhos de investigação sobre a China, pretende criar uma base de dados de especialistas e investigadores portugueses na área dos estudos chineses, que permita o trabalho em rede. Organiza eventos descentralizados de modo a estimular o intercâmbio de ideias, opiniões e estudos na área dos estudos chineses; coopera com entidades públicas e privadas, nacionais e estrangeiras, em várias áreas do conhecimento e edita e apoia a edição de publicações várias, nomeadamente, livros, relatórios e outros textos sobre a evolução económica, política, cultural, histórica e social da China do passado ao presente.

 

Publicado em 29.11.2018