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Rebeliões e Resistência nos Impérios Ibéricos, Séc. XVI-XIX

Estudar os processos de resistência das categorias sociais desfavorecidas, discriminadas e segregadas nos impérios ibéricos, entre 1500 e 1850 é o objetivo do projeto “Rebellion and Resistance in the Iberian Empires, 16th-19th centuries” (RESISTANCE) coordenado pela Universidade de Évora (UÉ) que envolve uma centena de investigadores de sete instituições europeias e seis não europeias.

Mafalda Soares da Cunha, professora do Departamento de História da UÉ e investigadora do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS), coordena este projeto que estuda os fenómenos de resistência ativa e passiva numa perspetiva comparativa entre diferentes cronologias e espaços europeus, americanos, asiáticos e africanos, com destaque para o estudo da morfologia e da gramática da resistência, assim como a análise dos seus impactos na transformação societal.

As desigualdades económicas, a exclusão social, a discriminação das minorias, a resistência cultural e a rutura da coesão social são as preocupações fundamentais na atual agenda europeia e mundial, tanto no trabalho académico quanto na formulação de políticas. O projeto visa analisar essas questões concentrando-se nos processos de resistência protagonizados por atores sociais historicamente desfavorecidos, discriminados e dominados.

A análise dos processos de resistência das categorias sociais discriminadas não é muito habitual pelos historiadores, razão pela qual, os investigadores deste projeto esperam obter “resultados surpreendentes”.

Analisar os conflitos violentos em espaço público, as resistências quotidianos e as resistências através da participação politica, bem como o estudo das manifestações, as resistências abertas, a partir de práticas culturais são os três grandes grupos de investigação. No final deste projeto que teve início em 2018 e que se prolonga por quatro anos, espera-se que, sobretudo os mais jovens, tenham conhecimento de que, estes grupos “sem voz” também foram agentes protagonistas da mudança societal no passado.

No recorrer do projeto estão previstas publicações de vídeos com temas ligados à resistência e entrevistas a especialistas, ativistas dos direitos humanos e responsáveis por museus e programas escolares, de maneira a mostrar como hoje em dia se constrói (ou se contesta) a memória “oficial” dessas categorias sociais mais segregadas.

Financiado pela Comissão Europeia ao abrigo do programa RISE/Horizonte2020 envolve para além da Universidade de Évora, a Brown University, Colégio de Michoacan, Instituto de Ciências Sociais, ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, MAX-PLANCK-GESELLSCHAFT ZUR FORDERUNG DER WISSENSCHAFTEN EV, Pontificia Universidad Catolica de Chile, Universidad de Cantabria, Universidade de Cabo Verde, Universidade Federal da Bahia, Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidad Nacional de La Plata, Universidad Santiago de Compostela.

Vídeo do projeto

Publicado em 06.03.2019