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Alexandre Quintanilha e Pat Sandra Doutores Honoris Causa da UÉ

A cerimónia de atribuição do grau de Doutor Honoris Causa aos cientistas Alexandre Quintanilha e Pat Sandra decorreu ontem, dia 25 de março, no Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora (UÉ), com a presença de Jorge Lacão, Vice-Presidente da Assembleia da República, António Costa, Primeiro-Ministro, Tiago Brandão Rodrigues, Ministro da Educação, e de Carlos César, Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista.

“É hoje outorgado o grau de Doutor Honoris Causa a duas personalidades que contribuíram e contribuem indiscutivelmente para o avanço da ciência no seu papel mais nobre, que é contribuição inequívoca para a sociedade a todos os níveis” sublinhou a Reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas, aos novos doutores da UÉ.

Alexandre Quintanilha manifestou estar “totalmente surpreendido” com o doutoramento pela UÉ, que o considera “uma honra muito grande”, e recorda o seu percurso como académico, político e cientista, bem como as personalidades que o marcaram, entre elas, Corino de Andrade, o primeiro cientista a identificar e caracterizar como nova entidade nosológica e paramiloidose, uma doença-degenerativa, o casal Rocha Melo, que integrou a sua família no Porto, “uma cidade granítica, que mudou muito nos últimos anos”, aquando da vinda de Moçambique para Portugal, Mariano Gago, professor universitário, cientista e político português, ou Mário Soares, líder histórico do Partido Socialista.

O cientista que se dedica nomeadamente à investigação de eletrões (desemparelhados) e protões, nos supercondutores - imperfeições cristalinas em novos materiais e nas células, apelou aos mais jovens, que “continuem a falar daquilo que ainda está por resolver”; “E há tanto ainda por fazer” sugeriu, ao lembrar que “aproximadamente 95% do universo é ainda desconhecido” ou a urgência para as alterações climáticas e a sustentabilidade.

O físico português de renome internacional nascido em Moçambique, fez questão ainda de recordar Garcia de Orta, que “um século antes de Galileu, já estava a fazer investigação experimental”, o que faz deste médico português, autor pioneiro sobre botânica, farmacologia, medicina tropical e antropologia, o “primeiro experimentalista do mundo ocidental”, enfatizou.

No que respeita ao cientista Pat Sandra, destacado pelo Conselho Científico da UÉ, pelo "inestimável contributo para a ciência em sentido lato e para a química analítica e a ciência separativa em particular", mostrou-se “muito agradecido” pela atribuição da UÉ, dando a conhecer o seu percurso científico, onde, através do Instituto de Investigação em Cromatografia (RIC), e das atividades desenvolvidas, entrou “em contato com as necessidades reais analíticas da indústria”, e desta forma, “ajudar a encontrar soluções economicamente relevantes” em conjunto com os “melhores alunos de doutoramento”. No futuro, o cientista belga, procura desenvolver conhecimento em áreas relacionadas às ciências da vida, nomeadamente no que respeita à área dos neófitos em ciências da separação e espectrometria de massa, uma técnica analítica física para detetar e identificar moléculas por meio da medição da massa e da caracterização de sua estrutura química.

O Conselho Científico da UÉ considerou "oportuno" homenagear Alexandre Quintanilha "pelo seu extraordinário percurso científico" e "também pelo importante contributo que deu à ciência em Portugal, transmitindo o conhecimento, desenvolvendo a investigação científica, formando gerações de cientistas e promovendo militantemente a ciência na educação". O Professor Doutor Alexandre Quintanilha, apresenta uma vasta obra publicada de artigos e livros científicos. Os seus interesses actuais são nas áreas da política de ciência, do stress biológico, percepção do risco e divulgação do conhecimento. Doutorou-se em física teórica na Witwatersrand University em Johannesburg, em 1972. Presidiu, entre outros, vários comités da ESF, da OECD, da Comissão Europeia (Marie Curie, ELSA, membro do EURAB e do STAC) e de outras organizações internacionais de investigação.

Sobre o cientista Pat Sandra, o Conselho Científico da UÉ para além de considerar o "inestimável contributo para a ciência em sentido lato e para a química analítica e a ciência separativa em particular", destacou também o "desenvolvimento da ciência cromatográfica em Portugal, e muito especialmente o seu apoio inestimável ao desenvolvimento e crescimento das técnicas analíticas de separação na Universidade de Évora, principalmente, através do seu contínuo apoio pessoal, como cientista e investigador, sem esquecer o seu desinteressado apoio material ao longo de mais de dez anos de colaboração".

Publicado em 26.03.2019