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Os Partidos Políticos, a Universidade, o Curso de Medicina

Opinião de Ana Costa Freitas

Repentinamente, e quase que sem pré-aviso, para além da agitação de uma campanha eleitoral, quase todos os partidos políticos são os “pais” da ideia de criar um curso de Medicina na Universidade de Évora. É caso para dizer “levem a bicicleta”!

Curiosamente nenhum falou, realmente, do que será necessário para abrir um curso de medicina na Universidade de Évora. 

Parece que há um entendimento de que a decisão será política e que poderemos criar o curso no modelo “chave na mão”( que não seria credível)!

Todos se baseiam, e bem, na ligação do curso de Medicina à de o Hospital central do Alentejo ser, em 2023, uma realidade (ver para crer).

Já foram lançadas 3 primeiras pedras para a construção, consequentemente 3 anúncios públicos; sabemos que será inscrita a verba necessária no próximo quadro comunitário que estamos agora a negociar. Para já só há 1/3 da verba. 

Sabemos, portanto, muito pouco, ou mesmo quase nada sobre o novo Hospital!

Mas acreditamos, porque tendemos a acreditar, sem que a ciência ou a inteligência me expliquem porquê, em promessas políticas e, pior ainda, em promessas de campanhas eleitorais!

É realmente necessário que se construa o Hospital Central do Alentejo, para que tenhamos casuística suficiente, para pensar em abrir um curso de medicina na Universidade de Évora. É indiscutível.

Podemos dizer que é condição necessária, mas não suficiente!

E aí entra, aquilo de que ninguém fala porque eventualmente não consideram importante, a Universidade em si mesma!

O que temos e o que precisamos ter!

Qual a estratégia que temos seguido?

Como não entramos em campanhas eleitorais pouco se sabe e, curiosamente, parece que a estratégia, as competências instaladas, as necessidades de infraestruturas, etc.… são de somenos importância.

Basta dizer que se quer Medicina em Évora!

Mas não é assim!

Serei, espero, Reitora da Universidade de Évora até 2022. Na minha estratégia para esta Academia só avançará um curso de medicina, se nestes anos, até 2023,  presumindo que haverá verba, (pode aparecer por aí o “diabo” e ficarmos pela 4ª, 1ª pedra) a Universidade conseguir provar que criou competências de investigação nas áreas das ciências da saúde e da medicina.

Nenhuma casa se começa pelo telhado, sempre pelos alicerces.

Sem alicerces sólidos os edifícios correm o risco de ruir!

E é este desafio que lanço, já lancei aliás  à Academia, não aos partidos políticos. Vamos, e já estamos a construir os alicerces sólidos que nos permitam vir a poder propor, com qualidade, com responsabilidade, com sustentabilidade e com a credibilidade que é reconhecida à Universidade de Évora, um curso de Medicina até 2023.

E queremos “construir” um modelo de formação que tenha uma componente forte centrada na especificidade da região e dos seus habitantes, nos cuidados continuados, na telemedicina, na geriatria, no olhar para o doente como um todo!

Quando lá chegarmos, à proposta do curso, do modelo de ensino e, se tudo correr bem, à acreditação e abertura de um curso de Medicina, temos que ter ganho a confiança e a credibilidade que só a ciência e a investigação podem dar nestes casos.

Descansem os políticos porque somos nós, Universidade, que temos e estamos a trabalhar para que em 2023 o Curso de Medicina seja uma realidade na Universidade de Évora.

 

Ana Costa Freitas

Reitora da Universidade de Évora

 

Publicado em 03.10.2019