Home / Canais / Academia
Dia da UÉ - 460 anos de História

Teve lugar na Universidade de Évora (UÉ), no dia 1 de novembro, a habitual sessão solene que marca o início do ano académico. Esta data representa um dos momentos mais relevantes do ano para a Universidade, reunindo toda a Academia no Colégio do Espírito Santo (CES).

No seu discurso, Ana Costa Freitas, Reitora da Universidade de Évora, apresentou uma perspetiva histórica do conceito de Universidade, desde as primeiras Universidades Studium generale que surgiram na Europa no início do seculo XIII até ao processo de Bolonha em 1999, concluindo que as Universidades “não podem parar”, pois “precisam ter uma mudança revolucionária contínua, se querem continuar a ser relevantes”. Foi nesta sequência que lançou um desafio à Academia, “temos de nos antecipar e entrar no mundo 5.0, rapidamente! ”, um modelo que, como sublinhou, deverá apostar “nos valores humanos”. Para tal, é necessário, na sua opinião, “valorizar, ouvir, aprender e entender os outros, e nunca esquecer que são os nossos valores, o nosso julgamento, a nossa empatia, a nossa escuta e o nosso entendimento que nos tornam humanos”.

A Reitora da UÉ realçou ainda, que a Universidade de Évora “tem construído com enorme êxito redes internacionais e nacionais, de ensino, de investigação e de estratégia”, dando como exemplo as três Infraestruturas Europeias de Investigação, em Ciências do Património, Ecossistemas e Física da Atmosfera, aprovadas no âmbito do Programa Europeu Horizonte 2020 com um financiamento global na ordem dos 14 milhões de Euros, distribuído por 87 instituições parceiras, onde a Universidade de Évora é a única instituição portuguesa parceira.

Por sua vez, Ana Rita Silva, Presidente da Associação Académica da UÉ, começou por agradecer aos estudantes o papel que estes desempenham no desenvolvimento da Universidade de Évora”, recordando os 460 anos da fundação da Universidade, um “momento especial” no qual os estudantes “juntam as suas famílias e amigos enchendo os claustros de uma alegria muito própria, que não caberia em qualquer outro cenário”. Destacou, ainda, o papel fundamental da UÉ, porque “uma população mais instruída tem, em média, autonomia cultural e comportamentos sociais com valor para os próprios e para a coletividade, e é nesta instrução nos estudantes de hoje, profissionais de amanhã, que devemos continuar a apostar permanentemente”.

A Lição Inaugural foi proferida por Fátima Nunes, Professora de História da UÉ. «Historiador(a): um ofício em perpétuo movimento…», foi o título escolhido porque “de um historiador espera-se que esteja em perpétuo labor, o que implica gerir geometrias de escalas de território em análise – global, internacional, nacional, regional, local”. Na sua intervenção fez recordar a memória dos espaços e das inúmeras personalidades determinantes no avançar, não apenas da Academia, mas de um mundo em “perpétuo movimento", desde Rómulo de Carvalho, Ário de Azevedo, Santos Júnior, Manuel Viegas Guerreiro, Inácio Rebelo de Andrade, Miguel Torga entre muitos outros que não foram esquecidos, porque, tal como recordou, o “ofício de historiador(a) implica ler em diferentes ritmos, alguns alucinantes, outros pausados, lentos porque necessários para fazer perpetuar a mensagem epistemológica de fazer história (…), deixando claro o envolvimento da História com as Ciências Sociais e, também, com outras áreas científicas.”

Em representação dos Trabalhadores Não- Docentes, Manuel Catita, Secretário da Escola de Artes, destacou a importância desta classe profissional no quotidiano e funcionamento da Instituição, atuando em diversas tarefas e funções, e cuja utilidade "é fundamental", estando estes sempre empenhados numa atualização permanente de conhecimentos dentro das suas especificidades e complexidade das tarefas a realizar.

Durante a sessão houve, ainda, lugar para a imposição das insígnias doutorais aos mais recentes doutores e foram atribuídos prémios de mérito de  desempenho académico e científico da Academia. O paleontólogo Octávio Mateus recebeu o Prémio Carreira Alumni UÉvora, instituído este ano pela Universidade de Évora, com o objetivo de reconhecer um(a) diplomado(a) da UÉ que se tenha destacado pela sua carreira profissional e cívica e que, sendo uma referência para os seus pares e para a sociedade, tenha contribuído para a consolidação da imagem da UÉ enquanto instituição de ensino de referência.

O Prémio Escolar da Universidade de Évora, instituído em 1988 pelo Senado Universitário para galardoar anualmente o estudante da Universidade que tenha concluído a sua licenciatura com melhor classificação final, nunca inferior a 16 valores, foi atribuído a Sara de Ornelas Nobre Carraça, estudantes que concluiu no ano letivo de 2017/2018, o curso de Biologia com a classificação final de 18,5 valores.

As Bolsas de Mérito do Programa Alumni Eugénio de Almeida, instituídas pela Fundação Eugénio de Almeida como homenagem ao seu fundador, Engenheiro Vasco Maria Eugénio de Almeida, são entregues anualmente aos melhores estudantes finalistas dos cursos de Economia, Gestão e Sociologia. Da Licenciatura em Gestão, com a média de 16,8 valores recebeu a bolsa de mérito, Neeltje Wilhelmina Pinheiro Merkens, da licenciatura em Economia, com a média de 14,3 valores, o estudante Cláudio Miguel Godinho Balhana e da licenciatura em Sociologia, com a média de 17,2 valores, a estudante Raquel Alexandra Duarte Lobo. 

Cláudia Sofia Pina Farófia que ingressou este ano na licenciatura em Artes Plásticas e Multimédia com a classificação de 19,2 valores recebeu o Prémio de Mérito Santander Universidades.

O Prémio Excelência Académica Santa Casa da Misericórdia de Évora, que distingue a melhor tese de investigação (de mestrado ou de doutoramento) na Área Social foi atrubuído a Inês Isabel Melo do Rosário, com a dissertação de mestrado em Psicomotricidade, “Caracterização do desenvolvimento motor e emocional, e do comportamento em adolescentes em situação de acolhimento residencial”.

No atual contexto onde os constrangimentos económicos são uma realidade, o Professor Peter Vogelaere, do Departamento de Desporto e Saúde, Professor Emérito da Universidade de Évora, decidiu atribuir uma bolsa anual aos estudantes que tenham completado a licenciatura em Ciências do Desporto na nossa Universidade, e que tenham optado por seguir os estudos no mestrado em Exercício e Saúde nesta instituição. A Bolsa Peter Vogelaere foi atribuída este ano ao estudante Pedro Duarte Azevedo Brito.

A Bolsa de Mérito Jornal Ensino Magazine, atribuída ao estudante que concluiu em 2018/19, com a média mais elevada, foi entregue Inês Sofia Calmeirão Sabarigo, estudante da licenciatura em Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, com a média de 17,7 valores.

O encerramento da sessão esteve a cargo de Carlos Mota Soares, Presidente do Conselho Geral da Universidade de Évora, sublinhando aqui o resultado da Academia expresso nos vários rankings internacionais e que traduz o trabalho desenvolvido pela UÉ.

A marcar o final das comemorações do aniversário sobre a  fundação da Universidade Jesuíta, em 1559, teve lugar o Concerto pela Orquestra de Jazz da Universidade de Évora, sob direção do maestro Claus Nymark.

Publicado em 04.11.2019