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UÉ "Innovation Day" aposta em startups na área da saúde digital

A Universidade de Évora (UÉ) voltou, pelo terceiro ano consecutivo, a organizar o “Innovation Day”, onde alunos dos vários cursos da Universidade têm a oportunidade de trabalhar em equipas multidisciplinares e procurar soluções inovadoras para problemas concretos na área da saúde digital. A terceira edição desta iniciativa decorreu ontem, dia 6 de novembro, no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), em Évora.

Organizada no âmbito do EIT Health, um consórcio ligado à inovação na área da saúde, do qual a Universidade de Évora é parceira, lançou este ano o desafio “Bringing care home”, oferecendo aos primeiros classificados a oportunidade de defender a sua ideia no Winners Event, em Paris.

Soumodip Sarkar, presidente executivo do PACT sublinha a importância deste tipo de iniciativas, que apostam na sensibilização dos jovens para o empreendedorismo, transformação de ideias e criação de startups. O também Vice-Reitor para o Empreendedorismo e Inovação da UÉ referiu ainda que, pela primeira vez, as equipas que apresentam os seus projetos, vão ter um acompanhamento mais efetivo durante as várias fases de desenvolvimento dos seus projetos, disponibilizando o PACT, espaços para a criação das startups.

Assente no pressuposto que os problemas colocados pela saúde e envelhecimento são complexos, requerem capacidade para lidar com a incerteza e a mudança, e, do ponto de vista científico e prático, atravessam fronteiras disciplinares, exigem-se competências transdisciplinares que, assentes na colaboração e criatividade, os redefinam e reenquadrem e projetem soluções significativas. Desta forma os estudantes da Universidade de Évora, apresentaram as suas propostas inovadoras, como foi o caso de Milena Ribeiro, brasileira em Erasmos, a estudar Gestão na Universidade de Évora, por gostar de participar neste tipo de competições, “e aqui é uma forma de conhecer os desafios em Portugal nesta área”, sublinha a estudantes que pretende alargar a sua rede de contactos. 

Inserida na “equipa D”, a estudante da licenciatura em Bioquímica, Maria Cardoso, resolveu participar por considerar uma “grande iniciativa” por “juntar os conhecimentos dos diversos cursos da Universidade, como o desporto, enfermagem e outros numa só ideia”. Esta equipa pretende apresentar uma projeto que ajude os cuidadores informais “a ter mais tempo para eles”, referindo a este respeito o Estatuto do Cuidador Informal, que estabelece os direitos e deveres das pessoas que cuidam em casa de familiares dependentes, como é o caso de idosos, doentes crónicos, com demência, crianças com patologias graves entre outros.

Porque esta iniciativa conta desde o início com a colaboração ativa da sociedade civil, Sílvia Torradinhas, da Cáritas Arquidiocesana de Évora, Serviço de Apoio domiciliário desta Instituição da Arquidiocese de Évora, membro da Cáritas Portuguesa e da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Évora, é da opinião que os projetos desenvolvidos pelos estudantes da UÉ “podem realmente fazer a diferença e ajudar a população idosa”, realçando a este respeito que muitos dos idosos “encontram-se em grande isolamento social”, pelo que espera que estes conceitos “possam efetivamente servir de alerta e permitir encontrar soluções tecnológicas para um maior acompanhamento dos idosos”.

A colaboração entre Estudantes e Comunidade foi sublinhada por Maria Cecília Monteiro da direção da Associação de Solidariedade Social dos Professores que conta com quase 12 000 associados, a maior Instituição de Solidariedade de Professores no nosso país, voltando uma vez mais a participar por considerar “muito interessante”, e sobretudo para deixar uma mensagem aos mais jovens: “não desistam, avancem sempre com coragem mas com os pés bem assentes e fundamentalmente sonhem sempre, porque o futuro pertence-lhes”, realça com entusiasmo.

O “Innovation Day” conta ainda, entre outros, com a colaboração das Residências Montepio, “um projeto de construção de residências destinadas a proporcionar a total satisfação dos seus utentes, através de um atendimento integrado e de cuidados individualizados e continuados que asseguram segurança e conforto”, tal como sublinham. 

Inserido no programa, Tomás Caeiro, antigo aluno de Gestão da UÉ, fundador da City Check, uma aplicação móvel que permite aos utilizadores explorarem os principais pontos de interesse de uma cidade através de jogos contextuais, encontra na resiliência o segredo para as equipas das startups e para os empreendedores, porque tal faz questão de referir, “mais do que liderança e comunicação, que são obviamente fundamentais, temos que ser sempre resilientes”, porque como referiu, “é normal errar, temos é que analisar e aprender com os nossos erros e assim melhorar o que nos propomos fazer”. 

Tomás Caeiro recordou ainda que o seu percurso, nem sempre foi fácil “porque o sucesso não é imediato”, o importante, na sua opinião é “lidar com as rejeições e estar rodeados de pessoas certas”. Questionado sobre a evolução da aplicação City Check, Tomás Caeiro não tem dúvidas em afirmar que a equipa está a “viver momentos superexcitantes”, avançando o lançamento da versão beta prevista para março do próximo ano.

Para além de Tomás Caeiro, a equipa é constituída por diversos alunos da Universidade de Évora, nomeadamente: Gabriel Sousa, aluno de Design; Filipe Ribeiro, aluno de Design; Catarina Rosa, Design (alumni); Rui Rodrigues, aluno de Engenharia Informática; João Chiola, aluno de Engenharia Informática; João Carvalho, aluno de Gestão, alcançando já, entre outas distinções, o “Visa Award for Connected Commerce”, na competição europeia da Junior Achievement Europe, em Helsínquia, Finlândia ou ainda a ‘1ª Competição “Internet +” de empreendedorismo e inovação para estudantes universitários entre China e países de língua Portuguesa que decorreu em Macau. 

Um pequeno dispositivo tecnológico desenvolvido pelo projeto desenvolvidas pelo Instituto Internacional de Investigação e Inovação do Envelhecimento (4ie), que envolve as universidades de Évora e da Estremadura e os politécnicos de Portalegre e Beja, além da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo esteve em destaque neste dia destinado à inovação. 

Através deste modelo, os idosos do Alentejo e da Estremadura espanhola vão poder assim comunicar com um "assistente pessoal", que os faz recordar, por exemplo sobre a medicação a tomar, ou as consultas agendadas. Outro instrumento desenvolvido no âmbito deste projeto é uma aplicação para telemóveis inteligentes que irá permitir avaliar, por exemplo, o tipo de alimentação para uma determinada pessoa.

Financiado pela União Europeia no âmbito do Programa Europeu de Cooperação Transfronteiriça INTERREG VA Espanha-Portugal (POCTEP), a primeira fase do projeto contou com um financiamento na ordem de 1,2 milhões de euros, estando entretanto prevista uma segunda fase dos trabalhos até 2021.

Publicado em 07.11.2019